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Foto Vacinação Antirrábica divide opiniões entre veterinários

A nova legislação que permite ao médico veterinário estabelecer a periodicidade da administração da Vacinação Antirrábica, até agora anual, está a originar discussão no meio veterinário. A APMVEAC enviou uma carta ao secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar onde pede a suspensão da nova legislação, numa altura em que Espanha se depara com novos casos de raiva.

A partir de agora, todos os cães com três ou mais meses de idade têm que dispor de vacina antirrábica válida, que, de acordo com a data da última administração, se encontra dentro do prazo de duração da imunidade conferida, de acordo com as instruções do fabricante.

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) emitiu a 21 de Junho de 2013 um nota explicativa acerca da duração da imunidade de cada fabricante de vacinas antirrábicas. Consulte o quadro aqui.

A revista Veterinária Atual entrevistou Jorge Cid, presidente da APMVEAC, que defende um debate na classe médico-veterinária sobre este assunto, além do ponto de vista da DGAV.

Veterinária Atual: A APMVEAC endereçou uma carta ao secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar, Nuno Vieira e Brito, com conhecimento à diretora-geral de Alimentação e Veterinária, Maria Teresa Vila de Brito, a contestar a nova lei que permite ao médico veterinário estabelecer a periodicidade da administração da Vacina Antirrábica e a pedir a sua suspensão. Porquê?

Jorge Cid: A APMVEAC considera que este problema é de tal maneira importante que deveria ter havido um debate no seio da classe médico-veterinária sobre todo este assunto, e tanto quanto é do nosso conhecimento ninguém foi consultado sobre esta temática.

E já obtiveram alguma resposta à carta que endereçaram ao secretário de Estado e à DGAV?

Sim, a DGAV já nos respondeu e temos uma audiência marcada para o próximo dia 2 de outubro com o secretário de Estado.

O que a APMVEAC pretende transmitir nessa audiência?

Principalmente o grande risco da implementação desta medida. Somos da opinião que deveria ter havido um estudo sobre o respetivo impacto desta alteração, que para nós é uma medida meramente burocrática. Não conhecemos qualquer estudo sobre quais as possíveis repercussões no futuro.

O que está em causa?

Entre as várias vacinas disponíveis, alguns laboratórios farmacêuticos registaram as mesmas com validade três anos, enquanto outras têm um registo de validade anual. Tanto quanto sei, os laboratórios destas vacinas que estão registadas para um ano vão pedir igualmente o registo para três anos. O que não temos e que é colocado em causa diz respeito aos estudos em que se baseiam os laboratórios para poder afirmar que a validade da vacina é de três anos. Nos folhetos informativos dos laboratórios tal informação é omissa, sabendo nós que o nível de anticorpos pode variar de acordo com muitos fatores, nomeadamente a associação de outros medicamentos ou vacinas aplicadas, o estado de imunidade do próprio animal e a presença de doença crónica. Existe também um estudo internacional que aponta para uma falha de seroconversão de animais vacinados com vacinas antirrábicas de diferentes fabricantes na ordem dos 5%. Achamos que é altamente arriscado decretar que a vacina antirrábica tem a validade de três anos. Também há quem defenda um rapel a seguir à primovacinação, o que não existe em Portugal, existindo outros países com outras metodologias.

Fonte: Veterinaria atual