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Foto Roménia aprova lei para eutanasiar cães errantes

A morte de um menino de 4 anos na Roménia veio pôr fim a um debate sobre a sobrepopulação canina que decorria na Roménia há anos. Esta semana, como solução, o Governo aprovou o abate de cães errantes duas semanas após serem recolhidos pelas autoridades.

O problema de sobrepopulação canina é visível em toda a Roménia, mas concentra-se sobretudo nas grandes cidades. Isto é um reflexo do período de industrialização (anos 60) e do regime de ditadura (nos anos 80) em que ditador Nicolae Ceausescu iniciou um programa de demolição massiva e os cidadãos foram obrigados a viver em pequenos apartamentos comunitários, sendo os cães largados à sua sorte. Após 20 anos de decomocracia, a falta de controlo sobre os animais errantes tornou-se num problema para o bem-estar e saúde não só dos animais como também das pessoas.

Após a entrada da Roménia na União Europeia, em 2007, as organizações activistas expressaram-se em relação à sobrepopulação canina e, em 2008, o governo aprovou uma lei que proibia abater animais saudáveis. Mas com pouco dinheiro para a manutenção dos animais, os canis tornaram-se em campos de concentração para milhares de cães, que não têm alimentação, lutam uns com os outros e sofrem de várias doenças. O Governo suporta alguns programas de esterilização mas estes são realizados sem grande sucesso, pois os animais fazem a recuperação da cirurgia sem qualquer apoio e nas ruas, devido à falta de espaço dos canis. O sistema implementado está a rebentar pelas costuras.

Em Bucareste, onde se estima haver cerca de 64,7 mil cães vadios a viverem em matilhas (com pouco ou nenhum contacto humano), já foram contabilizados, só nos primeiros quatros meses deste ano, 1100 ataques a pessoas.

No passado, um turista japonês morreu após ser mordido numa artéria da perna por um cão vadio e anos mais tarde, em 2011, uma mulher de Bucareste foi vítima mortal de uma matilha. Desde essa altura que se iniciaram debates sobre como resolver este problema, mas a semana passada um acontecimento tornou-se o ponto de viragem: uma criança de 4 anos morreu devido a um ataque fatal de uma matilha, enquanto brincava com o seu irmão no parque.

A morte da criança levou ao sentimento de revolta dentro da sociedade e no domingo passado, em Bucareste, centenas de pessoas, incluindo a avó do menino que faleceu, manifestaram-se pedindo justiça através de um programa de abate dos cães errantes. “Espero ver uma mudança para melhor – quero deixar de ver cães nas ruas”, diz a avó Aurica Anghel, segundo a BBC.

Há dois dias atrás, 9 de Setembro, o Governo cedeu à pressão e aprovou um projecto de lei que determina que todos os cães vadios podem ser capturados e após 14 dias, caso não sejam reclamados, sejam mortos sem ser preciso determinar se os mesmos são agressivos, doentes, ou se podem ser reabilitados, treinados ou realojados.

Segundo a organização internacional Four Paws, a decisão do Governo não tem fundamento ético, técnico ou financeiro. Gabriel Paun director da Four Paws Internacional, diz que a adopção de animais durante o curto tempo de 14 dias não é uma situação realista. "Esta lei significa simplesmente uma sentença de morte para centenas de milhares de cães na Roménia", afirma com preocupação Paun.

O trabalho desta organização internacional tem sido o de apanhar, esterilizar e libertar cães errantes na Roménia e os seus esforços têm sido reconhecidos e apoiados pelo Parlamento Europeu. A Four Paws já esterilizou cerca de 100.000 animais na última década e a nova lei permite também o abate destes animais.

Considerando que o uso de identificação electrónica não é obrigatório por lei e que a maioria dos animais errantes resulta de cruzamentos não controlados, prevesse que o abate de cães venha a tornar-se num “genocídio animal”.

Paun defende que existem outras maneiras mais eficientes de lidar com o problema: "É necessário melhorar a cultura do cão como animal de estimação para além que devem ser aplicadas penalidades severas para quem abandona cães e o microchip deve passar a ser obrigatório para que se os donos possam ser descobertos."

Desde 2001 que a Four Paws já esterilizou 10.600 cães só em Bucareste. “Mas não é o suficiente, isto é um projecto privado voluntário. Precisamos do governo para fazer a mesma coisa a nível nacional". Paun acrescentou ainda que os cães vadios são um problema nacional, não se limitando a Bucareste.

“Será historicamente incorrecto se a comissão da União Europeia tolerar esta situação. Estamos à procura de soluções nacionais para congelar esta lei e evitar que a comissão da União Europeia faça parte deste crime, que a maioria dos cidadãos europeus nunca irá esquecer ou perdoar", conclui Paun.

As organizações estão a pressionar o governo para que este resolva este problema de uma maneira mais humanitária. Tratando-se de um país da União Europeia consideram que esta medida é completamente bárbara e radical.

Já 36572 pessoas assinaram a carta dirigida a Durão Barroso e a vários presidentes de câmara na Roménia, na esperança que este problema seja resolvido de uma maneira mais humanitária. Assine também aqui.

 

Fonte: koirienystavat, Romania Insider, BBC News, Four Paws