Registo
Foto Reduzir a dor de cães com cancro

Quando um Raio-X revela as piores notícias possíveis – que o coxear de um cão é causado por um tumor cancerígeno –, os donos têm opções limitadas. Na medicina veterinária convencional, a amputação e rondas repetidas de quimioterapia podem estender a vida do animal, mas a um custo financeiro e emocional demasiado alto. Como alternativa, os cães podem tomar analgésicos, mas estas drogas só os podem confortar durante um tempo limitado.

Um estudo recente publicado por uma equipa de investigadores da School of Veterinary Medicine (Universidade de Filadélfia) veio mostrar que pode existir outra opção para todos os donos que querem aliviar o sofrimento dos seus animais.

Dorothy Cimino Brown e Kimberly Agnello recrutaram 70 cães com cancro ósseo para participar neste estudo. Todos os donos destes cães optaram por evitar amputação e quimioterapia e estavam interessados em apenas melhorar a qualidade de vida dos seus animais enquantos estes eram vivos.

Metade dos cães foi submetido à administração de neurotoxina P-saporin (SAP) e ao tratamento típico com análgésicos. Aos restantes animais não foi administrada a toxina, tendo sido submetidos apenas ao tratamento típico. Esta substância nunca tinha sido administrada em animais de estimação, mas estudos anteriores revelaram que uma injecção desta neurotoxina pode aliviar a dor ao destruir certos nervos. E aliás, já é utilizada nos humanos que fazem Botox para lhes aliviar as dores.

Os donos não souberam que tipo de tratamento é que cada cão estava a fazer mas foi-lhes pedido que registassem os níveis (aparentes) de dor e a actividade dos seus animais.

Brown e Agnello descubriram que a neurotoxina SAP era substancialmente mais eficiente a reduzir as dores dos animais do que os analgésicos convencionais.  Após seis semanas do início do estudo, 74 % (26) dos cães do grupo sem injecção da neurotoxina tiveram que ajustar a terapêutica para a dor. Apenas 24 % (8) dos cães que levaram injecção da toxina tiveram essa necessidade.

“Este estudo abre portas a um novo método de tratamento”, diz Brown. “Normalmente percorreríamos toda a gama de opções farmacêuticas e depois eutanasiávamos os animais. Mas agora, se pudermos oferecer a neurotoxina, podemos aumentar, a outro nível, a qualidade de vida destes animais.”

Estes resultados têm não só o potencial de melhorar a vida dos cães doentes, como também dos humanos.

Fonte: ASAHQUPENN