Registo
Foto Poopy power

Para a maioria das pessoas as fezes caninas representam não só um problema de condições higio-sanitárias mas também ambiental. No entanto, para Gary Downie estas são uma das chaves para a sustentabilidade. Este ex-bancário de 42 anos de idade que vive em Cheshire (Grã-Bretanha) desenhou um sistema biosustentável, o Streekleen Bio, que pretende remover os resíduos caninos indesejados dos passeios e convertê-los em calor e electricidade. Após 3 anos de desenvolvimento, o sistema entrará em funcionamento já no próximo mês de Julho.

O objectivo deste projecto "verde" é utilizar parte das 700.000 toneladas de fezes caninas que se acumulam todos os anos na Grã-Bretanha para produzir metano, dióxido de carbono e fertilizante. Para além disso, o sistema permitirá reduzir as 72,5 mil libras que os Concelhos gastam anualmente para enviar as fezes caninas para os aterros.

A ideia é fazer com que as pessoas ultrapassem o “factor de repugnância” associado às fezes caninas e passem a considerá-las como uma mais-valia económica que tem o benefício de criar comunidades mais sustentáveis aquando processada através da biotecnologia “verde”.

O processo “Poopy Power”

As fezes caninas são depositadas pelos donos dos cães em contentores específicos existentes em diferentes parques. As autoridades locais serão responsáveis pela recolha das fezes caninas existentes nos contentores.

A Streetkleen removerá os excrementos dos sacos usando um sistema automático – estes sacos poderão ser reciclados, após serem limpos. Posteriormente, as fezes serão encaminhadas para a estação de tratamento.

O processo está desenhado para receber desde 500 kilogramas até 3 toneladas de resíduos (passo 1). Após carregamento, as fezes são partidas e misturadas de forma a uniformizar a mistura. Depois passam para o tanque de pasteurização onde as bactérias são destruídas (passo 2). Finalmente, a mistura é encaminhada para o tanque de digestão, ao qual serão adicionados vários micro organismos que irão decompor a mistura na ausência de oxigénio (digestão anaeróbia) (passo 3). Esta reacção biológica irá resultar em libertação de calor, dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Para além disso, o bolo digerido é rico em nutrientes podendo ser posteriormente utilizado como fertilizante (passo 4).

Aplicações e vantagens

O metano será utilizado para alimentar uma turbina geradora de electricidade que será vendida para a rede nacional. O calor e CO2 serão encaminhados para uma estufa para fazer crescer plantas juntamente com o fertilizante também resultante do processo.

Com 3 toneladas de matéria a processar é possível gerar cerca de 200.000 kilowatt hora de electricidade por ano – o suficiente para abastecer 60 casas. Para além disso, cada tonelada de fezes que não é encaminhada para o aterro, evita que mais 450 kilogramas de gases com efeito de estufa sejam libertados.

A facilidade de Cheshire, que recebeu financiamento inicial do governo gaulês, espera obter lucros a partir de aplicação de taxas para processar cada remessa de resíduos, juntamente com as tarifas de electricidade e vendas das estufas.

Com cerca de 800.000 cães a viverem na capital, Londres gasta cerca de 9,5 mil libras anualmente só a enviá-las para aterros. Se o sistema da Streetkleen for bem sucedido, Downie está confiante que outras autoridades irão também adoptá-lo.

Fonte: Dailymail e Independent