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Foto Novo estudo explica porque é que ter cães reduz alergias

Já há algum tempo que se sabe que as crianças que crescem na companhia de animais de estimação, um cão ou um gato, ou que vivem em quintas com animais têm menor tendência para desenvolver asma e alergias. No entanto, os cientistas nunca souberam exactamente porque é que isso acontecia. A hipótese mais especulada estava relacionada com a “limpeza absoluta”, ou seja, a ideia de que o estilo de vida moderno é demasiado limpo e, por não estarmos expostos a suficientes bactérias, vírus ou parasitas, não conseguimos desenvolver um sistema imunitário eficiente.

Um estudo conduzido pela Universidade de Michigan e lançado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) parece ter descoberto o porquê.

A equipa de investigadores expôs um grupo de ratos ao pó de casas onde viviam cães. Posteriormente, sujeitou esse mesmo grupo, e um outro que não havia sido exposto, a alergénicos relacionados com asma.

Os resultados demonstraram que os ratos que tinham estado em contacto com o pó apresentavam uma menor inflamação nas suas vias respiratórias e produziam muito menos muco comparativamente aos ratos que não tinham sido expostos.

No entanto, não eram as poeiras em si que aumentava a sua resistência, mas o que estava a viver nelas: microrganismos que alteraram a colónia de seres vivos que vivia no intestino dos roedores. Estas alterações influenciaram a resposta imunitária dos animais e sua capacidade de combater certo tipo de alergénicos.

Uma das bactérias que foi identificada no intestino dos ratos expostos às poeiras de casas com cães foi a Lactobacillus johnsonii. Esta bactéria foi apresentada isoladamente aos ratos que não haviam sido expostos às poeiras e, curiosamente, estes desenvolveram um mecanismo de defesa aos alergénicos semelhante aos ratos que haviam sido expostos às poeiras.

Segundo uma das autoras do estudo, Dr. Susan Lynch, “o nível de protecção da Lactobacillus johnsonii exposta isoladamente é menor do que o atingido pela poeira de microrganismos existente nas casas com cães, o que indica que talvez sejam necessárias outras bactérias para ter o mesmo nível de protecção das vias respiratórias”.

Semelhante ao que acontece com os roedores, também as crianças que crescem com animais apresentam menores riscos de alergia. Assim, parece que o pó das casas onde vivem cães contém uma boa mistura de microrganismos para definir uma boa resposta imunitária nas crianças.

Este estudo abre caminho para definir novas estratégias terapêuticas para tratar ou proteger os casos de infecção pulmonar e alergias através da manipulação da flora intestinal. 

Fonte: Time