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Foto GNR recruta civis com cães para busca e salvamento

Os cães de busca e salvamento têm um trabalho muito aprofundado e sério sendo cruciais quando vidas humanas estão em causa. Exemplo disso é Maria Silva cujo marido estava desaparecido e foi encontrado vivo pelos cães treinados da GNR. Como ele, centenas de outras pessoas têm sido encontradas pelos cães treinados da GNR, do Grupo de Intervenção Cinotécnico (GIG) desta força de segurança. Desde a sua criação, em 1996, os designados "binómios" de busca e salvamento encontraram 590 pessoas, das quais 544 vivas.

Com o objectivo de reforçar esta capacidade tão importante para as populações (o desconhecimento do paradeiro de um familiar) o GIG propôs ao comandante geral Newton Pereira, que já concordou, o recrutamento de civis voluntários, com cães treinados, para apoiar nestas operações.

“Desde que o projecto foi divulgado já estão inscritas mais de 200 pessoas com o respectivo cão. Será a primeira equipa de civis com estas competências a trabalhar sob comando da GNR e foi uma forma de aproveitar a disponibilidade e a vontade de várias dezenas de pessoas que já se dedicavam a esta actividade”, relata um dos responsáveis.

“Apesar de sabermos que vários binómios, muito até membros de associações especializadas, até têm qualificações não podemos “confiar” zonas de busca sem ter conhecimento absoluto das capacidades de cada um”, explica ao DN o comandante do GIC, Marco Costa Pinto.

Com a intenção de criar sinergias com estas pessoas e associações, o GIC decidiu organizar uma formação especial. “Somos um país muito altruísta. Todos querem ajudar situações de acidentes, desaparecimentos. Portanto, o melhor é aproveitar toda essa boa vontade, mas criando condições para que quem está a comandar a operação no terreno saiba exactamente com o que pode contar”, sublinha Costa Pinto.

Depois da fase de pré-inscrições para a bolsa de voluntários, o GIC vai começar a convocar os civis para as instalações da Unidade de Intervenção, em Queluz, onde se vão iniciar os vários testes de certificação: revista veterinária, prova teórica e provas práticas, com testes de obediência, destreza, controlo, buscas em grandes áreas e buscas em escombros.

As duplas que ficarem aptas recebem uma certificação por ano. Com esta aprovação estão sujeitas a seguir uma formação para a sua integração operacional nas missões de busca de pessoas desaparecidas da GNR. Esta bolsa de voluntários vai ser partilhada com a Autoridade Nacional de Protecção Civil e convocados por sms.

Actualmente, a GNR conta com cerca de 20 binómios de busca e salvamento. Com este projecto, o número de binómios poderá aumentar bastante. Ainda assim, não é certo que todos os aplicantes sejam aprovados pois o treino dos cães exige uma enorme disponibilidade e dedicação. “No mínimo são 500 horas por ano para o treino. São como atletas e têm uma a duas horas de preparação física por dia”, assinala Jorge Leal o fundador da Brigada Autónoma de Resgate Canino.

Para mais informações: Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR (GIC) - K9

Fonte: DN