Registo
Foto Balanço do Campeonato do Mundo de IPO de Rottweilers 2013

Na semana passada decorreu o Campeonato do Mundo de RCI/IPO da raça Rottweiler. O RCI ou IPO é uma modalidade canina em que se faz trabalho de pistagem, de obediência e de defesa, testando assim o instinto de caça, gregário e de protecção do cão.

Paolo Picariello, um treinador italiano residente em Portugal há 15 anos e com 26 anos de experiência na área, fez parte do comité de juízes desta competição. Paolo contou ao Doglink como decorreu o evento, aproveitando também para nos falar do ponto de situação da modalidade e da raça em Portugal.

Doglink: Olá Paolo! Vamos gravar a conversa, ok?

Paolo Picariello: Não há qualquer problema!

Paolo, antes de tudo, como é que surgiu o convite para participar no campeonato do mundo de IPO de Rottweilers?

A minha ligação ao Rottweiler e à modalidade começou já há algum tempo. Quando ainda vivia em Itália, fui responsável pelo treino de Rottweilers na minha região, que é a Liguria, e participei com vários cães em IPO. Quando me mudei para Portugal, continuei ligado à raça e à modalidade. Posso dizer com orgulho que fiz do Rottweiler Otto campeão de Portugal de RCI grau 3 no ano 2000 e que foi, inclusivamente, o primeiro Rottweiler português a participar no Campeonato do mundo de raça (IFR) e no campeonato do Mundo F.C.I. de R.C.I.

Otto

Com pena minha, perante as dificuldades que existem para arranjar uma equipa para treinar, fui-me afastando da modalidade, mas preocupei-me sempre em acompanhar as provas e tudo o que acontecia à volta da modalidade. Julgar provas foi algo que comecei a fazer durante este percurso. Já há muitos anos que julgo provas em Espanha principalmente na Corunha, Astúrias e Madrid. Em 2012, julguei a Taça do Boxer Clube de Espanha e, em 2013, o campeonato de Rottweilers em Itália, que era uma das provas de selecção para ir ao mundial. Assim sendo, não foi um convite surpresa, mas baseado na minha experiência passada.

Quando fala na dificuldade de arranjar equipas, refere-se a quê?

Pela minha experiência, posso dizer que é complicado encontrar figurantes ou pessoas que queiram aprender a modalidade. Sendo o IPO um trabalho de equipa (cão, condutor e figurantes), não podemos apresentar um trabalho de qualidade sem termos uma equipa por trás e é por isso que, neste momento, na minha escola encontro-me a praticar Obedience porque apenas é preciso um condutor e um cão. Infelizmente, por vezes, é complicado juntar pessoas da mesma área para poder colaborar.

Quantos cães portugueses participaram no campeonato?

Não participou nenhum português. Actualmente, não há pessoas que trabalhem Rottweilers a este nível de competição. É mais fácil trabalhar um Pastor Alemão ou um Malinois do que Rottweilers...

Há receio por parte dos treinadores em trabalharem Rottweilers por estes poderem não atingir o nível do trabalho dos Pastores Alemães ou Malinois?

Acho que o Rottweiler é uma raça que pode entrar em provas de IPO sem ter qualquer receio de competir com cães de outras raças. Posso dizer que este ano, pelo que vi no campeonato, fiquei extremamente impressionado não só devido à sua qualidade genética e técnica mas também pelo alto nível de preparação dos Rottweilers presentes. Os países nórdicos e principalmente os finlandeses estão a trabalhar muito bem com alta qualidade genética e isso está a resultar em grandes prestações de Rottweilers em obediência e defesa. Independentemente de não haver uma separação clara entre linhagens de beleza e trabalho, como há por exemplo nos pastores belgas, é notória uma aptidão extra para o trabalho nessas linhagens.

Além disso, sente que pelo facto do Rottweiler ser considerado potencialmente perigoso há menos pessoas interessadas em fazer trabalho com cães desta raça?

Sem sombra de dúvidas. A lei das raças potencialmente perigosas também não ajuda para a utilização de cães Rottweiler.

Como treinador, temos que lhe fazer a pergunta da praxe: Qual a sua opinião em relação à categorização das raças potencialmente perigosas?

Para mim, os únicos perigosos são os políticos, pelo que andam a fazer a este país! Em Itália, já não existe uma listagem de raças potencialmente perigosas mas o que existe agora é a responsabilização dos donos pelos actos dos seus cães. No fundo, trata-se da posição mais correcta em relação aos ataques de cães e espero que Portugal também decida em breve abolir a listagem dos cães potencialmente perigosos.

Paolo, obrigado por este bocadinho e por vestir a camisola portuguesa.

 

Mais informações em ifr-ipo2013.