Registo
Foto Se você for agressivo, o seu cão também o será

A maior controvérsia que existe em relação aos métodos de treino canino é acerca dos métodos de confronto ou punição física. Apesar destas técnicas se terem tornado bastante populares (devido, grande parte, à televisão e livros), novos estudos e defensores emergem todos os anos a alertar para o perigo destes métodos.

Um estudo, publicado na Applied Animal Behavior Science, demonstrou que muitos métodos de treino de confronto, sejam eles de punição ou intimidação física, pouco fazem para corrigir comportamentos indesejados e podem até desencadear respostas agressivas. Por outro lado, métodos de treino de não punição, como prática de desporto ou reforço positivo, dão origem a respostas muito pouco agressivas.

Os resultados do estudo indicaram que 25 % dos cães com problemas de agressividade tiveram uma resposta agressiva quando os donos tentam resolver as situações com métodos de confronto e punição.

Métodos de confronto/punição mais utilizados pelos donos no estudo 

43% Bater ou pontapear o cão sempre que ele apresentava um comportamento indesejável

41 % Gritar com o cão

39 % Forçar fisicamente o cão a largar o objecto que tinha na boca

31 % Papel de alfa – deitar o cão de costas e mantê-lo nessa posição.

30 % Forçar o cão a olhar para baixo

29 % Forçar o cão a ficar no chão, assumindo o dono uma atitude dominante.

26 % Abanar o cão, assumindo uma atitude dominante.

Infelizmente muitos destes comportamentos partem da recomendação de treinadores ou simplesmente dos próprios donos, provocando medo e podendo despoletar agressão direccionada ao próprio dono.

Antes de recorrerem a um comportamentalista muitos donos tentam aplicar técnicas de modificação de comportamento, vindas das mais variadas fontes. Muitas vezes as recomendações incluem as técnicas punitivas listadas acima que podem conduzir a comportamentos medrosos e de agressão defensiva. O uso destas técnicas resulta da ideia de que a agressão canina está intimamente relacionada com a dominância social ou falta de dominância por parte do dono. Quem defende estas teorias sugere que os donos se tornem líderes ou “alfas” da matilha. No entanto, já foi provado que os cães não nos vêm como um membro da matilha, o que põe também em causa os princípios das teorias de dominância.

Curiosamente, a reacção dos cães perante os métodos de treino de punição e confronto é semelhante à das crianças. Ou seja, quando os pais educam a criança castigando-a fisicamente e confrontando-a, esta desenvolve um comportamento agressivo geral e sobretudo em relação ao indivíduo que a puniu.

Dadas estas descobertas, os investigadores sugerem que os veterinários e treinadores que lidam com o público devem alertar os donos para os riscos associados a este tipo de treino e os orientem para gerir estes problemas comportamentais.

Fonte: Applied Animal BehaviourPsychologytoday