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Foto Ligação Homem-Cão: benefícios fisiológicos

Em 1908 surgiu uma polémica acerca de um Coronel americano, Clarence Deems, que tinha um Fox Terrier, o Rilleys. O Coronel era viúvo e vivia no Forte com Rilleys, com o qual partilhava todos os momentos da sua vida. Para o Coronel, Rilleys era um grande conforto na sua vida e o seu melhor amigo. Para além de demonstrar sentimentos pelo animal, o Coronel aceitava de bom grado os sentimentos recíprocos do animal. O Coronel foi acusado de perturbações mentais em tribunal militar pelos seus colegas.

No século XXI, é impensável alguém ser processado por mostrar afecto ou receber afecto de um animal. A ligação Homem-Cão mudou e muito se deve a descobertas que revelaram que esta ligação promove o nosso bem-estar físico e mental.

A relação próxima entre o homem e o cão já é conhecida há muitos anos, séculos, milénios!... Mas foi só no início dos anos 80 que surgiram evidências científicas dos benefícios que advém desta relação. Desde então, a maneira como os cães se enquadram na sociedade mudou drasticamente.

1. Bastam 5 minutos com um cão para reduzir o stress

O psicólogo Alan Beck e o psiquiatra Aaron Katcher estudaram as interações entre os humanos e os cães e descobriram que o contacto com os cães diminui a pressão arterial, o ritmo cardiaco, a respiração torna-se constante e os músculos relaxam, ou seja, todos os sinais do stress de um indivíduo diminuem.

Estes resultados foram posteriormente reconfirmados por um estudo publicado em 2005 num jornal Psychological Reports (ver resumo do artigo). Neste estudo foram encontradas quantidades reduzidas de cortisol (um hormona libertada em resposta ao stress) em amostras sanguíneas dos pacientes que interagiram com cães. O mais interessante deste estudo é que estes efeitos positivos são muito mais rapidamente alcançados utilizando cães, do que o uso de muitos medicamentos para reduzir o stress: bastaram 5 minutos de interação com um cão para reduzir os níveis de stress!

2. Quem tem um cão vive mais

Hoje em dia já há muitos estudos que demonstram que os cães podem contribuir para melhorar a sua qualidade de vida bem como a sua longevidade. Os benefícios não são só a curto prazo quando o homem está em contacto com o cão, os efeitos positivos reforçam-se com o tempo.

Em Melbourne, na Austrália, conduziu-se um estudo com 5.741 pessoas (ver artigo). Os investigadores descobriram que as pessoas com animais de estimação apresentavam menores factores de risco para a doença cardiovascular (nomeadamente: níveis mais baixos de pressão arterial, colesterol e triglicéridos) do que as pessoas que não possuiam qualquer animal de estimação, mesmo quando ambos os grupos tinham um estilo de vida menos saudável, envolvendo fumo ou dietas pouco equilibradas.

3. A companhia de um cão é um bom medicamento

Em 2001, a Associação Cardíaca Americana apresentou um estudo que envolvia um grupo de correctores da Bolsa de Valores (ver artigo). Os participantes demonstravam princípios de stress devido ao estilo de vida que levavam e por isso eram candidatos para começar a tomar medicação para reduzir a tensão arterial. Primeiro os investigadores avaliaram a pressão arterial dos correctores em situações de stress – semelhantes às que eram submetidos no dia a dia. Perante estas situações a pressão arterial disparou para 184/129 mmHg (qualquer pressão acima de 140/90 mmHg é considerada alta).

Todos os correctores foram medicados (todos com a mesma medicação), no entanto, metade deles também aceitou adoptar um cão ou gato. Seis meses depois, os correctores voltaram a ser submetidos a situações de stress feitas pelos investigadores. Os correctores que adquiriram um animal fizeram os testes na presença do mesmo. Os resultados foram surpreendentes: os correctores que fizeram a terapia combinada (medicação+animal) demonstraram metade do aumento do stress relacionado com a pressão arterial que os correctores que foram tratados só com a medicação.

4. Um cão ajuda após ataque cardíaco

Os cães também podem ajudá-lo caso tenha tido algum problema cardiaco. Num estudo publicado no Jornal de Cardiologia Americano (ver resumo do artigo), os investigadores estudaram 424 pacientes depois de eles terem saído do hospital após terem um ataque cardíaco. Depois de um ano, os donos dos cães demonstraram ter uma taxa de sobrevivência maior do que os paciente que não tinham cão. Os investigadores atribuem estes resultados à ligação de afecto e apoio social que os cães dão aos seus donos o que faz reduzir o stress que, por sua vez, é o maior contribuinte para os problemas cardiovasculares.

5. Ter um cão melhora o sistema imunitário

Um estudo conduzido pelo Dr. Carl Charnetski da Universidade de Wikes, na Pensilvânia, demonstrou que os cães têm um efeito benéfico no nosso sistema imunitário (ver resumo aqui). Foram medidos os níveis de secreção da imunoglobina A (IgA) – uma proteína envolvida no sistema imunitário – em amostras de saliva de cada participante.

Os resultados mostraram um aumento significativo de IgA (33%) nas amostras dos participantes que tiveram 18 minutos de interacção com um cão. Experiências anteriores já haviam demonstrado que os elevados níveis desta proteína estão relacionados com a menor probabilidade de contrair doenças e menor susceptibilidade de infecções respiratórias! Mais interessante do que estas descobertas foi o facto de todos os estudantes deste grupo apresentarem resultados similares independentemente de serem ou não amantes de cães.

Os benefícios fisiológicos dos cães podem surgir devido ao aumento de exercício associado à posse do animal bem como à redução de stress que advém da sua companhia. Esta interação, seja ela activa ou passiva, tende a reduzir os níveis de ansiedade e, consequentemente, prevenir ou retardar o desenvolvimento de doenças relacionadas com o stress.

 

Artigo actualizado a 21 de Setembro de 2013.