Registo
Foto Cães e gatos podem viver em harmonia

Ao contrário do que a maioria das pessoas pressupõe: os cães e os gatos não são necessariamente inimigos. Aliás, até podem chegar mesmo a ser os melhores amigos, dependendo das personalidades dos animais e da paciência e compreensão dos donos. O período inicial de introdução pode ser complicado mas depois de ultrapassado pode-se criar uma relação única bastante gratificante para ambas as espécies.

Diferenças de comportamentos

A linguagem corporal entre felinos e canídeos é tão distinta que pode levar a mal entendidos entre os animais e à destruição da relação entre ambos. Um dos grandes problemas está no facto da maioria dos cães adorar perseguir objectos em movimento (sejam eles bolas ou outros animais) e da maioria dos gatos desatar a fugir quando um animal de maiores dimensões corre na sua direcção! É assim que a maioria das perseguições começam: o gato a fugir por medo e o cão a correr atrás por curiosidade. No entanto, os gatos não fogem com a cauda entre as pernas como os cães, e como tal, para o cão, isto não passa de um “jogo de apanhada”.

Há ainda várias situações em que podem surgir mal entendidos entre as duas espécies, e que você, enquanto dono, deve ter atenção de modo a construir uma relação pacífica entre ambas.

  • Os cães abanam a cauda como sinal de alegria. Por sua vez, os gatos abanam a cauda quando se preparam para atacar.
  • Um cachorro, quando levanta a pata a um gato, pode significar que ele quer brincar, mas o gato pode considerar isso como um sinal de ataque, podendo vir a atacar o cão.
  • Quando um gato se esfrega contra um cão pode estar a agir amigavelmente, mas o cão pode interpretar isso como uma ameaça, especialmente se estiver perto de brinquedos ou comida.
Os vários cenários possíveis

O cenário que menos trabalho dá no que toca a estabelecer uma relação pacífica e de confiança entre o cão e gato é quando um cachorro e um gatinho são criados juntos, isto porque ainda não têm experiências adversas passadas.

No caso do novo residente ser um animal bebé e já tenha em casa um animal adulto, é importante não mostrar favoritismo em relação ao novo animal e deve continuar a sua rotina normal com o animal mais velho. Se o novo membro for um cachorro, cuidado: a sua hiperactividade poderá assustar ou agravar o relacionamento com o gato. No caso do novo residente ser um gatinho, as tentativas de agarrar a cauda do cão da casa podem não ser muito bem aceites. Alguns cães reagem aos gatinhos como se fossem brinquedos, e estas brincadeiras podem feri-lo gravemente.

A apresentação de cães adultos a gatos adultos é, provavelmente, o pior cenário para se estabelecer uma ligação pacífica. Embora seja possível manter a paz, as primeiras impressões costumam ser sempr​​e complicadas. Para este tipo de relação, o período de adaptação costuma ser muito maior, mas poderá ser facilitado através da envolvência de animais que lidam bem com os da outra espécie. Isto é, uma das maneiras de habituar um cão a gatos pode ser através de um gato que esteja familiarizado com cães, e vice-versa. No entanto, é preciso aceitar também que alguns cães e gatos não se conseguem adaptar um ao outro.

Preparação
Novo residente: cão

Se tem um gato adulto em casa e planeia abrigar um cão, é importante pensar como é que isto irá afectar o seu gato. Lembre-se que antes da entrada do novo residente, a casa é território do seu gato, no qual este se sente protegido. Se o seu gato tem muito medo de cães ou já passou por uma má experiência com eles, então repense se deve mesmo adquirir um cão. Talvez não seja justo submeter o seu gato a tanto stress, se sabe de antemão que ele não consegue lidar com cães.

Para assegurar que a primeira apresentação de ambos os animais é bem-sucedida, prepare previamente (umas semanas antes) a sua casa, de modo a que o seu gato se consiga habituar à nova configuração:

  • Certifique-se que há sítios aos quais só o seu gato pode ter acesso e que representem um ponto de fuga sempre que este queira relaxar ou estar em “paz e sossego”. Locais altos são ideais.
  • A comida, a água e o areão do seu gato não devem estar acessíveis ao novo residente.
  • Posicione a cama nova do seu cão no sítio ao qual está destinada. Idealmente, esta deverá ter o cheiro do cão para que o gato se vá habituando ao novo cheiro. Uma manta já utilizada pelo cão também serve.
Novo residente: gato
  • Antes de trazer o novo residente para casa, passe tempo com o seu cão e certifique-se que ele sabe os comandos básicos de obediência.
  • Certifique-se que a zona de descanso do seu cão não está na zona de passagem do seu gato.  
  • A maioria dos cães para além de adorarem comida também adoram cocó de gato, por isso meta tanto os pratos da comida como o areão do novo residente num sítio que esteja fora do alcance do seu cão.
Introdução do novo residente

Seja ele cão ou gato, quando se introduz um novo membro na família, o factor mais importante na construção de relações pacíficas entre as duas espécies é: respeitar o espaço do animal de estimação pré-existente. Animais mais velhos, caninos ou felinos, são territoriais e ressentem-se da invasão do seu território por animais de estimação de qualquer espécie. Inicialmente é importante que o novo membro esteja confinado a uma área específica.

Antes de introduzir e mesmo durante o momento da introdução dos dois animais, não faça brincadeiras de “busca” com o cão, estas só servirão para encorajar o seu instinto de perseguição. Dê um passeio prévio com o seu cão de modo a que este esteja mais calmo e alimente-o bem – o mesmo se aplica para o gato. Animais com o estômago cheio estão mais relaxados e tendem a reagir menos que animais famintos!

No momento em que for introduzir os dois animais:

  • Pegue em alguns biscoitos de cão e meta uma trela longa mas folgada no cão. Sempre que este estiver calmo e relaxado dê-lhe uma recompensa.
  • Não encoraje os animais a se conhecerem, este processo deve ser feito sem pressões e gradualmente.
  • Se ambos os animais estiverem calmos e se o cão quiser ir cheirar o gato, então deixe-o (sempre com trela colocada). Depois, reforce pela positiva o seu comportamento pacífico.

Repita este processo até estar confiante que os animais se toleram um ao outro. Mas lembre-se que o cenário pode mudar se o seu cão ou gato estiverem no jardim da sua casa.

Regras de boa convivência

Quando está no processo de estabelecer uma relação pacífica entre os seus animais, não corra quaisquer riscos:

  • Não deixe os dois animais sozinhos – poderá haver algum mal entendimento na sua ausência e você não estará presente para evitar as consequências.
  • Separe-os durante as refeições – Os cães são especialmente protectores da sua comida, e alguns ficam agressivos quando outros animais se aproximam durante a refeição. Preocupe-se para que o gato não tente comer ou aproximar-se da tigela do cão, especialmente quando este está nas proximidades. O mesmo se poderá aplicar à água: o cão poderá não querer nem compartilhar a sua tigela de água. Quanto ao gato, tente alimentá-lo numa sala separada ou numa área onde o cão não possa chegar à comida. Os gatos são menos territoriais com a comida que os cães, ainda é de evita o contacto durantes estas alturas.

Assim como com os seres humanos, as amizades levam tempo a desenvolver, não fique preocupado se os animais não se tornarem amigos imediatamente. Não obstante, é importante dar a mesma quantidade de atenção a todos os seus animais de estimação para que ninguém se sinta excluído.