Registo
Foto Agility: a modalidade

Um dos desportos caninos mais populares do mundo é o agility. Originário de Inglaterra, não é de espantar que tenha sido baseado em provas de hipismo, mas ao contrário dos cavalos, no agility os cães atravessam pneus, fazem zigzags, atravessam túneis e muito mais. Tudo isto, através da orientação dos seus donos ou condutores que os acompanham durante o percurso.

Obediência básica, agilidade e velocidade

A modalidade agility requer um excelente relacionamento entre o cão e o condutor, e como tal, os competidores devem estar familiarizados com o treino elementar de obediência básica. Durante a prova, o condutor não pode ter nem contacto físico com o animal nem levar nada nas mãos que chame a atenção do cão. Para além disso, de modo a evitar qualquer tipo de acidentes nos obstáculos, o cão jamais poderá estar de trela ou usar qualquer tipo de coleira.

No agility, a dupla condutor/cão tem como objectivo concluir um circuito com obstáculos no menor espaço de tempo possível e sem cometer quaisquer faltas. Mas antes de ser uma prova de velocidade, o agility é uma prova de habilidade e, como tal, a falta dos obstáculos é mais grave que a falta de tempo.

Perdem pontos por:

- Falhar zonas de contactos;
- Derrubar varas;
- Recusar um obstáculo;
- Falhar a sequência de obstáculos;
- Exceder o tempo.

Categorias

Qualquer cão com mais de 18 meses se pode inscrever, independentemente de ser de raça ou rafeiro (SRD - sem raça definida). Em Portugal, todos os cães têm de ter licença de praticante e os cães SRD têm de ter um registo desportivo.

Os cães são separados por classes e graus:

Classes

  • Mini – até 34,99 centímetros de altura ao garrote.
  • Midi – entre 35 e 42,99 centímetros de altura ao garrote.
  • Standard – mais de 43 centímetros de altura ao garrote.

Graus

  • Grau 1 – Iniciado
  • Grau 2 – Médio
  • Grau 3 – Elevado

Qualquer adulto ou criança (com mais de 12 anos) se pode iniciar como condutor nesta modalidade.

Regras da prova

Antes do início da prova:

  • O juiz inspeccionará os obstáculos e após ter comprovado a conformidade dos mesmos, estabelecerá o seu percurso e o entregará aos organizadores para a colocação dos obstáculos de acordo com o traçado definido.

Exemplo de um traçado ou percurso.

  • Define-se o tempo de percurso standard (TPS) através da divisão do comprimento do percurso e da velocidade (dependente do nível da competição e o grau de dificuldade do percurso). É também definido o tempo máximo (TPM) que o cão terá para fazer o percurso e que é, em geral, 1,5 a 2 vezes o TPS.
  • O juiz reúne os competidores explicando a natureza da competição, os tempos de percurso e relembrará o regulamento oficial e os critérios da pontuação. Nesta fase, os condutores podem fazer o reconhecimento do percurso sem os cães. É também proibido qualquer tipo de treino no percurso, de modo a evitar qualquer mecanização por parte do cão.

Reconhecimento do percurso pelos condutores.

  • Antes do início da competição um cão teste (denominado “cão branco”), que não faz parte da competição, poderá percorrer o percurso. Este servirá não só como referência a todos os concorrentes como permitirá fazer ajustes às angulações do traçado e tempos calculados, caso se justifique.
O percurso e os obstáculos

Cada percurso de agility é diferente do outro e, por isso, tanto os cães quanto os condutores devem estar preparados para todo o tipo de desafios. Existem dois tipos de percurso, um com contactos – Agility – e outro sem contactos – Jumping. Em Portugal, usa-se o termo "Manga" para definir o tipo de percurso. Por exemplo, "Manga Agility 1" significa que é um percurso com contactos e o número indica o grau, neste caso, grau 1.

Normalmente um percurso de agility tem entre 17 a 22 obstáculos e todos devem ser executados na ordem definida pelo juiz. O condutor não pode tocar nos obstáculos.

Os obstáculos de contacto (presentes no percurso Agility) são: a paliçada, o balance e a passarela. A zona de contacto dos obstáculos está definida numa determinada cor e o cão terá que tocar nesta zona. Estas zonas servem principalmente para que o cão entre e saia do obstáculo em segurança.

Quem ganha?

Nas provas de Agility, os resultados das provas são qualificados consoante a sua velocidade e pontuação de penalidades. Estas penalidades são a soma das faltas que ocorrem nos obstáculos e as faltas por exceder o TPS. No caso de igualdade no número de faltas, será classificado em primeiro o cão que tiver o menor número de faltas no percurso. Caso tenham tido as mesmas faltas de percurso, então ganha o cão mais rápido.

Acima de tudo: entendimento entre cão e condutor

Não basta ter um cão apto para o agility ou ser um sprinter para se ser bom nesta modalidade. O agility é um desporto de equipa e exige comunicação entre o cão e o condutor. Se esta comunicação não for transparente então dificilmente o seu cão conseguirá perceber os seus comandos e se não souber lidar com os seus erros, rapidamente o seu cão perderá confiança em si.

Tenha em mente todos estes factores quando se iniciar nesta modalidade:

Seja consistente – Insista no comportamento que deseja, quer seja no campo de treino ou no ringue de competição. Excepções à regra só deixarão o seu cão mais confuso.

Defina as prioridades – Cabe a você, enquanto dono, definir os conceitos de valor (prioridade do cão), ou seja, se é mais importante para o cão ir brincar, cheirar, etc , ou ir “brincar” consigo. 

Não lhe minta – Transmita-lhe com clareza qual o próximo obstáculo. O seu cão precisará de saber qual o próximo obstáculo de modo a que possa preparar a sua saída do obstáculo anterior. Os cães correm em velocidades superiores a 4,5 metros por segundo; eles precisam de saber atempadamente o que vão fazer para que o percurso seja fluido e não cometam erros. 95% das faltas em pista são devidos a erros do condutor! (veja aqui)

Linguagem corporal – A maneira mais rápida de perder a confiança do seu cão é corrigi-lo por este ter tomado o obstáculo errado, quando foi a sua linguagem corporal que o indicou. Altere a sua postura e tente outra vez. Os cães aprendem a ler o nosso corpo desde cachorros, e esta é a base de todo o agility. É muito mais forte que qualquer ordem verbal. Posicionamento do corpo, dos pés, joelhos, braços indicam o trajecto e o comportamento ao seu cão .

Conclusão

O Agility promove o bom relacionamento entre o cão e o seu condutor, de forma a alcançar um perfeito entendimento entre ambos. O sucesso de uma dupla vai ser baseado na qualidade do treino dado ao cão, na sua agilidade e aptidão física para executar os obstáculos. Por outro lado a parte humana da dupla tem um papel extremamente importante, que é aprender qual a maneira mais rápida e eficaz de conduzir o cão através do percurso.

Conselhos gerais

  • Antes de começar a praticar uma modalidade desportiva com o seu cão, faça um check-up médico para garantir que este não tem quaisquer problemas de saúde que possam ser agravados com a prática do desporto.
  • Antes de iniciar qualquer treino, tanto o seu cão como você devem gradualmente “aquecer”, estendendo os ligamentos para evitar qualquer tipo de lesão.
  • Faça sessões de treino de pequena duração (sem exceder os 10 minutos) se se está a iniciar na modalidade ou se a temperatura ambiente for elevada.
  • Não se esqueça de providenciar água.

Artigo revisto por: Hugo Santos